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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Maria Malibran
No segundo centenário do nascimento da famosa cantora lìrica Maria Malibran, a Storm recorda-a, ao som do último trabalho de Cecilia BartoliMaria Felicia Garcia (Malibran) nasceu em Paris a 24 de Março de 1808 no seio de uma família de músicos. Foi a primeira filha do casal Manuel del Pópulo García, famoso tenor, compositor e professor, nascido em Sevilha em 1775 e de Joaquina Briones, nome artístico de Maria Joaquina Stiches, popular e excelente cantora lírica. (A primeira mulher de Manuel Garcia, Manuela Morales era actriz e cantora e a filha de ambos, Josefa, também foi música notável.) Manuel Garcia e Joaquina tornaram-se amantes em 1803 e mantiveram-se juntos para o resto das suas vidas, partilhando actuações em inúmeros palcos da Europa e da América. Levavam uma vida de autênticos saltimbancos, mudavam constantemente de casa, de cidade, de País e de continente e, pormenor curioso, Garcia é considerado como o responsável pela introdução das óperas de Mozart e de Rossini nos Estados Unidos, onde ganhou cada vez mais fama. Ele Garcia gostava de enfatizar a sua origem cigana e o exotismo dessa condição foi transmitido à filha, Maria, que arrebatava os corações dos admiradores com a sua cabeleira e olhos negros, os seus modos teatrais e as suas opções apaixonadas e intempestivas. Manuel, como bom andaluz, era um homem de extremos, tirânico e exigente com a educação das filhas. Dizia-se que ele lhes batia sem piedade para que fossem as melhores e os gritos das meninas chegavam à rua, para consternação de quem passava. Quando Maria nasceu , era um cantor já muito conhecido e triunfava em Paris, onde se tinham exilado, fugindo de Espanha ocupada pelas tropas de Napoleão. Em 1821 nasceu Pauline (Viardot-Garcia) que veio a tornar-se, também, uma cantora famosa e uma figura de referência da música e dos meios intelectuais europeus. Foi compositora e professora de canto, amiga de Chopin, Gounod, Massenet e George Sand, admirada por Schumann, Saint-Saëns e Fauré – todos eles lhe dedicaram composições - e protagonizou uma das mais estranhas “ménage à trois” do mundo artístico com o seu marido e o escritor russo Turgenev. Maria começou a acompanhar os pais nas suas deambulações aos quatro anos e, aos seis, estreou-se em Nápoles numa ária de Agnese ( 1801) de Ferdinando Paer. Conta-se que cantava um papel menor com os pais e que a mãe se esqueceu do fio da música pelo o que a pequena Maria cantou por ela, recebendo uma tremenda ovação do público. Entretanto, o pai, que trabalhava em estreita colaboração com Rossini, voltou a Paris com a família - fugindo, também, à peste - para a estreia de “O Barbeiro de Sevilha” onde desempenhava um papel feito propositadamente para ele. Com a derrota de Waterloo, o clima em França tornou-se pouco propício e os Garcia rumaram a Londres onde Maria, que desde os oito anos era fluente em espanhol, francês, italiano e alemão, foi posta a salvo de tão conturbados tempos num colégio interno, em Hammersmith, aproveitando para aprofundar os seus conhecimentos de inglês. Aos dezasseis anos abandonou o colégio e voltou a viver sob a tutela artística e rígida do pai, debutando no ano seguinte, 1825, no papel de Rosina de “O Barbeiro de Sevilha”, no Royal Theatre de Londres. Tinha sido escolhida para substituir a famosíssima Giuditta Pasta que estava doente e não deixou escapar a oportunidade, transformando a sua actuação num triunfo. Nesse mesmo ano, a família rumou a Nova Iorque, cujo Teatro de Ópera era dirigido por Manuel Garcia. Se foi para escapar ao pai ou se as circunstâncias se proporcionaram, a verdade é que foi nesta cidade que Maria, aos dezassete anos conheceu o seu primeiro marido, Eugène Malibran, um banqueiro muito mais velho do que ela. O casamento durou pouco e Maria regressou a Paris passados dois anos, depois de uma temporada na cidade do México, onde deixou o marido e o resto da família. Livre e estabelecida a sua reputação gloriosa quando cantou Semiramide de Rossini em 1828, foi contratada pelo Theatre Italienne de Paris e tornou-se a principal intérprete de Donizetti, Bellini e Rossini. Em 1832 triunfou em Itália, onde, com a sua habitual atitude intrépida, abraçou a causa do liberalismo revolucionário italiano, convertendo-se no símbolo da resistência contra a Áustria. Em Veneza, as manifestações de idolatria chegaram a tal ponto que a cidade lhe doou um Teatro com o seu nome e uma gôndola especial que a transportava para todo o lado. Entretanto, apaixonara-se profundamente por Charles de Beriot, um violinista e compositor belga, fundador da Escola de Bruxelas, com quem acabou por casar em 1835 , depois de um complicado divórcio, obtido graças à intervenção do marquês De La Fayette, herói da independência americana e que se dizia estar , também, profundamente apaixonado pela cantora. Maria e Charles tiveram um filho, Charles-Wilfrid Bériot (1833-1914) pianista e, mais tarde, mestre de Maurice Ravel.A felicidade de Maria durou pouco. Menos de um ano depois do casamento, no Verão de 1836, caiu de um cavalo e morreu seis meses depois. Estava em Inglaterra, grávida e no auge da sua glória, como artista e como mulher. Já depois de sofrer o acidente, continuou a cantar - apresentava-se em palco de muletas - e a honrar os seus compromissos. O inconsolável Bériot levou o seu corpo de volta à Bélgica, mandando construir um imponente mausoléu no cemitério de Laeken. Maria Malibran tinha tudo de uma diva: as suas performances eram tão realistas que chegou a ser acusada de comportamento indecente, nas cenas de amor, em palco. Era compositora, desenhava esplendidamente, escrevia copiosamente - principalmente cartas - e cantava em cinco línguas. A sua carreira meteórica durou apenas oito anos, mas o seu legado é excepcional. Alfred de Musset e Lamartine dedicaram-lhe versos sentidos e entusiásticos e grandes compositores da época como Liszt e Chopin eram seus fervorosos admiradores. Maria Malibran, juntamente com a sua eterna rival Giuditta Pasta possuía um timbre especialíssimo a que os especialistas chamam de soprano sfogato, uma qualidade que lhe permitia entregar-se a momentos de intenso dramatismo em conjunto com variações vocais puras como trinados, harpejos, escalas e alterações súbitas de registo. Mas, mais do que toda a sua incontestável genialidade vocal, a sua vida, tão curta e intensa, fez dela um ícone para a eternidade.
Helena Vasconcelos, Storm-Magazine
Cecilia Bartoli canta Casta Diva (Tributo a Maria Malibran )
Etiquetas:
Cecilia Bartoli,
Maria Malibran,
Ópera
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